Sessão Campeira, uma tradição maçônica em Piratini

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Já é tradição para os Irmãos da Loja “Honra e Glória” nº 311, de Piratini, e para os Maçons da zona sul do Estado, realizar a Sessão Campeira em homenagem aos Lanceiros Negros. A fatídica batalha, que deveria ser mais conhecida como massacre, ocorreu no cerro de Porongos em 14 de novembro de 1844. Nesse triste episódio, as fontes mais conservadoras apontam que mais de 300 Lanceiros Negros lutaram de “mãos livres”, ou seja, desarmados, contra tropas imperiais. Algumas fontes apontam para até 800 mortos.

“[São] soldados de uma disciplina espartana, que com seus rostos de azeviche e coragem inquebrantável, punham verdadeiro terror ao inimigo. (…) Nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações”. Giuseppe Garibaldi.

 

Garibaldi definiu desta forma os lanceiros Negros. Essa batalha, geralmente esquecida por muitos (e que foi o penúltimo embate entre os imperialistas e os republicanos) é lembrada desde 2012 pela Oficina de Piratini, cidade que foi capital da república Rio-grandense. A reunião maçônica ocorre no chamado “Corredor de Porongos”, um local estreito e cercado por árvores, uma região de fazendas hoje pertencente à cidade de Pinheiro Machado. A partir desta edição, a sessão faz parte do calendário oficial do GORGS, honraria conquistada com todos os méritos e anunciada durante o encontro de 2016 pelo Grão-Mestre Tadeu Pedro Drago.

As homenagens começaram no dia 10/11, com a 3ª Cavalgada a Porongos, com 40 Irmãos percorrendo o caminho de ida e volta entre a fazenda Imaguare (local da sessão), de propriedade do Irmão Kerlon de Ávila Farias, até o Cerro de Porongos, onde foi inaugurada uma homenagem: o Memorial Lanceiros Negros. Duas lanças cruzadas e um lenço vermelho, com uma base de pedra em formato triangular, sinalizam o local onde se acredita que os soldados que tombaram na batalha foram enterrados. Já durante a 5ª Sessão Campeira, no dia 11/11, quase 100 Irmãos estiveram presentes representando Lojas das três Potências Maçônicas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além da tradicional presença do grupo de motociclistas “Bodes do Asfalto”. Com a popularização do evento, administração da Loja criou um site para inscrições, já que o espaço é limitado, devido ao corredor ser estreito. Melhorias foram feitas na harmonia e no som do local, que é ao ar livre, e que melhorou ainda mais a qualidade e a grandiosidade do evento.

A Sessão foi presidida pelo Venerável-Mestre Murilo Madruga de Ávila, acompanhado pelo 1º vigilante Maico Tunes Joanol, do 2º vigilante Ricardo Borges Garcia e o orador Patrick Farias Pereira. O Venerável-Mestre ressaltou durante sua palavra que, os Lanceiros Negros “representam o mais puro significado de amor aos ideais de liberdade, igualdade e humanidade”.

Fotos: Irmãos Murilo Madruga, Fabrício Goulart e Eduardo Rocha