Maçonaria e Brigada Militar: escolas de vida digna

. .

O relato de uma ocorrência policial pode ser feito com termos simples descrevendo hora, local e pessoas envolvidas. Porém, nem sempre isso dimensiona a importância do fato e principalmente o que decorre a partir de seus resultados para a sociedade, que vive dia conturbados. Esta observação jornalística remete obrigatoriamente para o destaque de uma visão diferenciada do comum. As atitudes inesperadas e carregadas pela correção da honestidade surpreendem nestes dias escurecidos pela ganância, pelo egoísmo, pela corrupção e pela desfaçatez.

É sobre a atitude grandiosa de dois Maçons da Loja “Acácia do Litoral” nº 474, de Tramandaí, os Irmãos Luiz César de Lima dos Santos, capitão e comandante da Companhia da Brigada Militar de Tramandaí, e Daniel Kirsch, soldado do mesmo batalhão, integrantes do quadro da tradicional Brigada Militar gaúcha que trata esta matéria. Os dois foram alvos de homenagens prestadas pelo Grão-Mestre Tadeu Pedro Drago e pelo Comandante-Geral da Brigada Militar Andreis Silvio Dal’Lago, dia 6/9, no Palácio Maçônico do GORGS. Com a participação do ministro da Administração Ivo Gilberto Fraga, os dois policiais militares receberam o reconhecimento maçônico pelo ato de grandeza praticado na ação policial que resultou na prisão de 14 pessoas, entre elas um dos bandidos mais procurados do estado, além de desbaratar um esquema internacional de traficantes de drogas. Junto a outros 12 companheiros, eles recusaram a oferta milionária dos meliantes para serem liberados. Um ato digno. Um ato louvável. Um ato que chamou a atenção de toda a sociedade brasileira. Claro que deveria se tratar de um ato banal de correção de caráter. Mas nos dias atuais, tornou-se uma exceção. Uma bendita exceção.

Logo após as homenagens, os dois brigadianos se dirigiram ao estúdio da rádio GORGS, quando, em entrevista veiculada no programa conexão GORGS (clique para ouvir o programa na íntegra), falaram sobre as investigações que redundaram na descoberta da quadrilha. “Especificamente, este poderia ter sido um simples fato mensurado por baixo sem que se desse a devida atenção. Quando tomamos conhecimento de uma singela questão de dúvida quanto a identidade de uma pessoa, buscamos de várias maneiras encontrar mais informações que nos dessem a certeza de que estávamos frente a uma prática criminosa. De posse dos dados, fizemos a abordagem e tivemos a certeza de que estávamos com uma situação bem maior do que aparentava”, destacou Luiz César. No grupo abordado havia criminosos que lidam com o narcotráfico internacional. Pessoas de reconhecida periculosidade em diversos estados do Brasil e da América do Sul, que trabalham diretamente os maiores traficantes do continente. “Isso tudo no momento da abordagem acendeu um alerta mostrando que aquela situação extrapolava a nossa rotina e que deveríamos trabalhar um pouco nas informações que tínhamos”, acrescentou Daniel.

A missão que começou no final da tarde de quinta-feira, 10/08, só terminou com a prisão da quadrilha na manhã do sábado, 12. Nesse ínterim, os criminosos tentaram de todas as formas evadir da mão forte da lei, representada pela briosa Brigada militar. E chegaram a ofensiva oferta: R$ 1,5 milhão. Isto mesmo, um milhão e quinhentos mil reais! Naquele exato momento os bandidos, certos de que teriam uma resposta positiva, foram surpreendidos por homens que tiveram como guias em suas vidas a retidão do esquadro. Com a firmeza e a serenidade de quem atua com a convicção dos justos, capitão e Maçom Luiz César respondeu com autoridade: “Vocês estão no Rio Grande do Sul e estão lidando com a Brigada Militar. Não sei de onde vocês vêm e para quem já deram dinheiro, mas sei que aqui não há o que comprar.”

Luiz César e Daniel certamente continuam felizes pela repercussão do ato em todo o país, pelas homenagens e agradecimentos que receberam da população, dos colegas policiais e até do governador José Ivo Sartori que, ao lado do secretário de Segurança Pública do RS César Schirmer, recepcionou e saudou os servidores no Palácio Piratini. Igualmente, com natural emoção, os dois Maçons receberam as homenageados prestadas Grão-Mestre Tadeu Drago e pelo Comandante Andreis Dal’Lago. As emoções ficam por conta da história de vida e valores transmitidos e lembrados pelos Irmãos Luiz César – ao recordar seu pai, ex-Venerável-Mestre da Loja “General Osório” nº 254 – e Daniel – cujo bisavô pertenceu à mesma Loja. Ao final da entrevista, Luiz César concluiu, segurando as lágrimas, enalteceu suas duas escolas de moralidade e ética: “A Maçonaria e a Brigada Militar nos mostram e ensinam valores. Nossa ação é decorrente destas escolas”. Daniel ainda lembra que “(…) fizemos tudo de maneira correta e acertada porque fomos criados, recebemos ensinamentos e processos que nos lapidaram”. Já Luiz Cezar conclui a entrevista com uma afirmação que deveria servir para reflexão de cada brasileiro, desde o mais humilde até o mais alto posto de comando do país: “Na Brigada Militar aprendemos a fazer exatamente este papel que relatamos. E é nesses mesmos valores que a Maçonaria nos ensina. Nossa atitude é só um reflexo do caráter de homens livres e de bons costumes que somos”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *