Sob a proteção do mesmo céu dos farrapos

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Na madrugada da sexta-feira, 28 de abril, os Maçons que seguiram para Uruguaiana eram experientes no trabalho que iriam realizar. Homens jovens, alguns, e, outros, já branqueando os cabelos, tinham um objetivo que seria cumprido ainda naquela noite. Todos eram integrantes do Piquete Fraternidade Gaúcha, braço tradicionalista do Grande Oriente do Rio Grande do Sul, ligado ao Ministério da Educação, Cultura e Comunicação Social, e, em Uruguaiana, participariam de uma sessão Maçônica a campo. Saíram da frente do Palácio da Justiça deixando no silêncio da noite, no outro lado da Praça da Matriz, o velho Piratini, que leva o nome da República sonhada pelos que seriam homenageados em Uruguaiana.

Os integrantes do Piquete são Obreiros de diferentes Lojas da capital e interior, mas acostumados e conhecedores das lides, fazem da viagem uma oportunidade para preparação do que irão realizar. São perto de dez horas de viagem, o ônibus é confortável e antes que o sono chegue os declamadores, músicos e poetas vão contando causos, dizendo poesias, dedilhando o violão e fazendo ouvir o som forte e guerreiro do bombo leguero.

Uma sessão Maçônica a campo como faziam os Maçons farroupilhas, conforme o próprio nome define, é realizada ao ar livre. Para tanto, o Venerável- Mestre Claudio Tavares Leães, Irmão Maxsoel Bastos, integrante do Piquete e incentivador do evento, juntamente com os Irmãos da Loja “Cruzeiro do Sul 2ª” nº 339, de Uruguaiana, já escolheram o local onde a Sessão magna será efetivada. Marcaram o perímetro e cercaram o espaço com cordas estendidas entre palanques encimados por candeeiros para os atos da cerimônia.

Antes do meio dia a comitiva chegou à Uruguaiana. A tarde passou rápida e alguns Irmãos estiveram no local da Sessão para ultimar algum detalhe. Às 20h foram encilhados os cavalos que levaram os ginetes destacados para conduzir as bandeiras do Brasil, do Rio Grande do Sul, da cidade de Uruguaiana, do GORGS e do Piquete Fraternidade Gaúcha, além da Chama Votiva, todos colocados em lugar de honra e destaque. No descampado, sentia-se que a temperatura ia baixando, mas o frio não foi suficiente para arrefecer o ânimo de todos os presentes. Os cargos oficiais da Loja a campo foram ocupados pelos peões integrantes do Piquete. À frente, o Grão-Mestre Adjunto do GORGS, Osleno dos Santos Heberlê, o Venerável -Mestre e o Patrão do Piquete Fraternidade Gaúcha, Luiz Dutra Niederauer.

A cerimônia começou quando o Grão-Mestre Adjunto, tratado como Vaqueano Patrão, agradeceu o honroso convite do Venerável-Mestre para que dirigisse os trabalhos, solicitando que a condução das lides fosse feita pelo Patrão do Piquete. Este agradeceu a inestimável colaboração dos Irmãos da Loja anfitriã, lembrando que a Maçonaria sempre propugnou pela liberdade, igualdade e fraternidade. “Na defesa de seus valores, a Maçonaria é como o quero-quero altaneiro que ronda nossas coxilhas noite e dia”, completou. Em sequência, deu por aberta a Sessão Magna Cívico-Cultural em homenagem à Revolução Farroupilha e aos feitos dos gaúchos em toda história da Pátria. No desenvolvimento dos trabalhos, brilharam com suas artes os Irmãos Léo Ribeiro, poeta, compositor e declamador, Adão Bueno, declamador, Paulo Henrique Inda, declamador, e os músicos Jaime Ribeiro, violão, e Cleber Soares, saxofone.

Causou viva emoção a todos o momento em que o Irmão José Alberto Leal discorreu sobre “Maçonaria, Farroupilhas e Uruguaiana”. Lembro que, para entender aquela homenagem, era preciso lembrar o dia 24 de fevereiro de 1843, quando o então Presidente da República de Piratini, Irmão Bento Gonçalves da Silva, assinou o decreto nº 21, criando a Capela Curada do Uruguai, acrescentando que foi em 17 de agosto de 1892 a instituição do Município de Uruguaiana. Concluiu destacando que aquela é a única cidade criada na República Rio-grandense, finalizando com verso do poeta Rafael Ovídio Gomes: “Uruguaiana é filha do sonho farroupilha”.

Depois das apresentações houve troca de regalos, placas alusivas ao evento, entre Patrão do Piquete e o Venerável-Mestre da Loja “Cruzeiro do Sul 2ª”. Em nome do GORGS, o Grão-Mestre Adjunto saudou as autoridades e visitantes, salientando que o Grão-Mestre Tadeu Pedro Drago, como integrante do Piquete, só não se fazia presente por estar naquele exato momento rumando para Nova York, em representação internacional aos Maçons do Grande Oriente do Rio Grande do Sul. Após, o Orador – ou Xiru das Falas – Nildo Machado, Ministro de Relações Públicas do GORGS, saudou os visitantes, em especial as Lojas “Jaime Tarragô” nº 338 (GORGS), “José de San Martin” (GLMERS) e “Estrella de Missiones” de Paso de Los Libres, República Argentina. Concluiu dizendo que o dia 28 de abril de 2017 ficará marcado como um dia especial para o GORGS e para a Maçonaria Rio-grandense.

Era quase meia noite quando, no céu de Uruguaiana, uma estrela cruzou do oriente para o ocidente mandando a notícia de que a homenagem chegara ao seu destino e só então os trabalhos foram encerrados e, nas palavras do Patrão do Piquete Fraternidade Gaúcha, os Irmãos podiam passar para o galpão dos ágapes porque “(…) a costela gorda está na brasa e o bolicho está aberto. Vamos engraxar o bigode e lubrificar a garganta

 

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GILMAR WAGNER FERREIRA DA LUZ

BELA SESSÃO. IR DE BRASILIA NASCIDO EM URUGUAIANA. LOJA 3912 GOB DF

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