Piratini relembra a Batalha de Porongos

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Loja “Honra e Glória” n° 311 realizou a 2ª Cavalgada a Porongos e a 4ª Sessão Campeira para homenagear os Lanceiros Negros

(Veja abaixo a galeria de fotos)

Batalha ou massacre de Porongos? Traição de David Canabarro ou estratégia brilhante de Francisco Pedro de Abreu, o Moringue? Na madrugada de 14 de novembro de 1844, com as negociações de paz já em andamento entre farrapos e o império brasileiro, os Lanceiros Negros e o Batalhão de Infantaria – também composto por escravos em busca da liberdade prometida pelos comandantes gaúchos – estavam acampados no Cerro de Porongos e foram atacados de surpresa por tropas imperiais. Tudo isso aconteceu há 172 anos e, ao longo da história, acabou se transformando num dos momentos de maior controvérsia da Revolução Farroupilha. Por muitos esquecido, o episódio vem causando discussões desde então. Nos últimos anos, especialmente, a história está sendo revisada e os debates voltaram a ganhar força.

A Loja “Honra e Glória” encampou a ideia de destacar esse acontecimento. E, desde 2012, realiza uma cerimônia magna num dos caminhos que levam até o local. O “Corredor de Porongos”, como é conhecido, é um caminho nos campos que leva até o atual Sítio de Porongos. Um ponto que se destaca – local de extensão aproximada de 60m – apresenta árvores dos dois lados, com copas altas fechadas, formando um corredor que permite instantes de sombra e ainda um pequeno córrego, que possibilita saciar a sede. Provavelmente, um paradouro na época da revolução. Hoje, o local está na propriedade de Kerlon de Ávila Farias, que cede sua fazenda para a realização de uma Sessão Campeira.

Além da cerimônia – realizada há quatro anos – desde o ano passado também ocorre uma cavalgada, partindo do mesmo ponto, com destino ao Cerro, local onde os cavalarianos pernoitam e prestam homenagens aos Lanceiros e Infantes mortos em combate. Os Maçons pesquisadores José Carlos Batista e Luciano Dutra participaram da cavalgada, e conversaram com a reportagem da Rádio GORGS. Para José Carlos Batista, a palavra traição é muito forte. Entretanto, ele defende que houve um acordo entre os Imperiais e David Canabarro para que o conflito fosse encerrado e a paz assinada. “Não havia muitas opções. Não houve traição, mas um acordo. Infelizmente os negros eram encarados como um empecilho para a paz. E nós esquecemos deles por muitos anos”, lamenta. Já Luciano Dutra é enfático ao afirmar que Canabarro não traiu. E vai mais longe: “Canabarro não fez acordos. Ele perdeu uma batalha, algo raro na sua vida militar. Ele também era um empecilho para o tratado de paz, pois era de corrente política diversa dos demais líderes. Moringue agiu estrategicamente. E foi isso”.

Há um ponto, porém, para o qual convergem as opiniões: o esquecimento dos mortos em Porongos. Para se ter uma ideia, o local onde teriam sido abertas valas para enterrar os mortos no conflito segue ainda hoje incógnito. Há especulações sobre o lugar exato, ao lado do Cerro. Os proprietários das terras onde estaria essa sepultura coletiva têm preservado a área, mas até hoje nenhum movimento para escavações no foi efetivado. O Venerável-Mestre José Aires dos Santos espera que a atitude da Loja seja o início de uma nova história. “Primeiramente, queremos homenagear esses heróis que morreram quase sem defesa. E, se possível, gostaríamos que as autoridades pelo menos viessem aqui para confirmar se esse é o local verdadeiro. E se confirmado, que sejam feitas as devidas honras que merecem”. Na sequência, os cavalarianos prestaram homenagem junto ao monumento no topo do Cerro, acendendo uma chama da qual foi extraída uma centelha par iluminar a Sessão Campeira que seria realizada mais tarde.

Sobre esse assunto, a Rádio GORGS disponibilizou em sua página dois vídeos nos locais citados (Clique aqui para assistir). Além disso, também foi realizada matéria especial para o programa Conexão GORGS debatendo a Batalha de Porongos (Clique aqui e ouça).

Sessão Campeira emocionou os participantes

Nas dependências da Cabanha Imaguare, o proprietário Kerlon Farias, junto com os funcionários e os Maçons da Loja “Honra e Glória”, recepcionava cada convidado. Durante o final de semana haviam participado da Cavalgada a Porongos e, sem descanso, passaram a tratar dos arranjos para a Sessão Campeira. Desde os detalhes do Templo a céu aberto, feitos a mão, seja de cipó ou de madeira rústica, até a preparação do ágape para os mais de cem convidados para a cerimônia, todos se envolveram de corpo e alma. Em momentos de descanso, um afago nos cavalos, gaita, violão, cantoria.

Na segunda-feira, dia 14, os preparativos se intensificaram e os convidados iam chegando em maior número. O Grão-Mestre Tadeu Pedro Drago prestigiou o evento, participando de quase todas as lidas. A noite era especial, pois a superlua (a maior dos últimos 70 anos) iluminava os campos, servindo como fonte de luz para os trabalhos. O Templo campeiro estava devidamente ornamentado, e, à entrada, o som de Cristiano Quevedo misturava-se com o tropel dos cavalos dos porta-bandeiras, confundindo-se com os sons da natureza, típicos do campo. Os trabalhos transcorreram conforme o proposto. O ponto alto foi a encenação de um diálogo entre dois oficiais, um deles ferido, debatendo se o ataque teria sido uma surpresa ou uma traição. Simbolicamente, ali surgia a “Questão Porongos”.

O Orador Kerlon Farias saudou as Lojas visitantes: “Amizade” n° 142, de Bagé, “Fé, Amor e Bondade” n° 363, de Pelotas, “União Constante” n° 210, “Acácia Riograndense” n° 398, “Ideal Campagna” n° 403 e “Cavaleiros da Justiça e Fraternidade” n° 460, de Rio Grande, “Província de São Pedro” n° 231, “Rei Salomão” n° 286 e “Jacques DeMolay” n° 275, de Porto Alegre, todas do GORGS; “Rio Branco III” n° 24, de Piratini, “Philantropia do Sul” n° 226, de Rio Grande, “Gênesis” n° 106, de Cachoeirinha, “Latino América I” n° 178, de Porto Alegre, “Cidade de Santa Maria” n° 15, de Santa Maria, “Luz da Alvorada” n° 142, de Alvorada e “Luz e Ordem II” n° 16, de Pinheiro Machado, estas da GLMEGRS; e “Alma Farrapa” n° 3028, de Porto Alegre, do GOB-RS.

Na sua alocução, o Grão-Mestre Tadeu Pedro Drago externou toda a alegria e emoção em participar das extensas homenagens realizadas pela Loja “Honra e Glória”. Anunciou que a partir do próximo ano este evento estará inserido no calendário oficial do GORGS. “Estaremos aqui sempre nesta data para homenagear esses bravos homens que aqui lutaram, que aqui tombaram e que aqui construíram nossa história”, concluiu.

Ao final, todos entoaram o hino do Rio Grande do Sul. Na saída do Templo, o som de Elton Saldanha e Cristiano Quevedo ecoou pelos campos sob o brilho da superlua e das constelações que iluminavam a noite. A pé e a cavalo, todos se dirigiram para o galpão, onde puderam confraternizar degustando um saboroso churrasco de cordeiro, preparado durante todo o dia pela equipe da Cabanha Imaguare.

Fotos: Rodrigo Reus, Peter Lenhart, Eduardo Rocha e Murilo Ávila

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